ONG aponta desmatamento no Pantanal

Por 30 de julho de 2017novembro 16th, 2020Notícias

G1 Notícias | 10/05/2017 15:04

A preocupação com o avanço do desmatamento e uso da área do Pantanal para criação de gado e agricultura foram discutidos durante um seminário nesta quarta-feira (10) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em Cuiabá.

Um mapeamento divulgado pelo Instituto Socioambiental da Bacia do Alto Paraguai SOS Pantanal mostra que 15% do território do Pantanal é ocupado atualmente por pastagem. Os dados mostram também que pouco mais de 84% da área do Pantanal está preservada.

No evento foram discutidos o turismo na região, possíveis parcerias e iniciativas para a proteção do Pantanal. Ambientalistas e palestrantes mostraram exemplos de regiões semelhantes ao Pantanal, como Everglades, nos Estados Unidos e Okavango, em Botswana, na África.

Durante o Seminário o instituto também divulgou o Atlas do Pantanal, um amplo monitoramento sobre o desmatamento na Bacia do Alto Paraguai (BAP) entre os anos de 2014 e 2016, além de dados desde 2002.

Segundo Eduardo Reis Rosa, analista de geoprocessamento que participou do mapeamento, as imagens e levantamentos foram feitos entre os anos de 2002 e 2016. O estudo mostra áreas naturais que viraram pastagem ou agricultura e outras áreas que foram alteradas. O termo ‘antropização’ que é a ação do ser humano sobre o meio ambiente, é constantemente usado no levantamento.

“Hoje 15,7% da área do Pantanal está com pastagem. O planalto, que é onde nascem os rios que vão para o Pantanal, está muito mais impactado em termos de remoção da cobertura natural vegetal. Essa antropização acaba gerando sedimentos que vão para os rios e causam assoreamento”, disse.

A área transformada também inclui as cordilheiras, que são áreas de floresta que foram removidas e viraram pastagem. O estudo percebeu que há um crescimento e tendência de aumento na área de pastagem, a cada levantamento feito.

“A preocupação é que você perde biodiversidade, perde o abrigo para o refúgio da fauna. No caso do planalto, existem muitas áreas de pastagem para agricultura e o tipo de manejo de solo dessa área favorece o assoreamento dos rios no Pantanal e o transporte de sedimentos e até [produtos] agroquímicos que são utilizados na agricultura. Isso impacta o Pantanal”, declarou Rosa.

No evento, foram discutidos e apresentados exemplos de preservação e recuperação das margens dos rios na tentativa de conter sedimentos que chegam ao Pantanal.

“Algumas áreas tendem a alagar mais, outras áreas ficam mais secas, outras áreas que não alagavam agora tendem a alagar. Isso gera um desequilíbrio das secas e cheias do Pantanal, é um impacto para a sustentabilidade do Pantanal”, disse o analista.

O evento pretende cobrar políticas públicas e uma legislação específica, criada pela comunidade científica, para proteger o Pantanal.

Pantanal

O Pantanal é localizado na Bacia do Alto Paraguai (BAP) e é constituído por uma planície sedimentar de aproximadamente 160 mil quilômetros quadrados. O maior território fica entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em uma região que também abrange áreas na Bolívia e Paraguai. É a maior área úmida do planeta, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.

O Pantanal é Considerado um Complexo de Ecossistemas, pois trata-se de uma região de encontro entre Cerrado, Chaco, Amazônia, Mata Atlântica e Bosque Seco Chiquitano. Existem no Pantanal pelo menos 3.500 espécies de plantas, 550 de aves, 124 de mamíferos, 80 de répteis, 60 de anfíbios e 260 espécies de peixes de água doce, sendo que algumas delas em risco de extinção.

Fonte: G1

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