Primeira reintrodução de onças-pintadas à natureza com sucesso do mundo foi no Pantanal

Em 2015, o Onçafari conseguiu um feito inédito na história da conservação: eles conseguiram reintroduzir 2 onças-pintadas que perderam a mãe e estavam em cativeiro de volta à natureza com sucesso. Em março de 2021 foi publicado pela Cambridge University Press, o artigo sobre este procedimento.   

A publicação intitulada “Is reintroduction a tool for the conservation of the jaguar Panthera onca? A case study in the Brazilian Pantanal”, que em portugues é “A reintrodução é uma ferramenta para a conservação da onça-pintada (Panthera onca)? Um estudo de caso no Pantanal brasileiro” descreve o trabalho realizado pela equipe do Onçafari e colaboradores para o reintroduzir as irmãs Isa e Fera na natureza. O artigo na íntegra pode ser acessado clicando aqui.

Fera – Uma das onças reintroduzidas. Foto: Gustavo Figueirôa

O Onçafari

A Associação Onçafari surgiu em 2010 e desde então trabalha pela preservação da biodiversidade em diversos biomas brasileiros, com ênfase em onças-pintadas e lobos-guarás. Além de promover a conservação do meio ambiente, a associação contribui com o desenvolvimento socioeconômico das regiões em que está inserida. 

Dentre as frentes de trabalho do Onçafari, estão o Ecoturismo, Pesquisas Científicas, Proteção às Florestas, Educação, Social e Reintrodução. Foi com o caso da Isa e Fera que a frente reintrodução foi criada, com sucesso por sinal!

Fera sendo avistada por hóspedes do refúgio. Foto: Edu Fragoso / Onçafari

O caso da Isa e da Fera 

As duas irmãs Isa e Fera foram resgatadas órfãs em junho de 2014 em Corumbá (MS) com cerca de 3 meses de idade e encaminhadas ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande (MS), onde permaneceram por 9 meses. 

Visando a reintrodução das irmãs na natureza, procedimento até então nunca antes executado para a espécie, elas foram transferidas para o Mantenedor Santa Rosa (Itapira, SP) e em julho de 2015 para o Refúgio Ecológico Caiman, onde foram instaladas em um recinto de 10.000 m² no meio do Pantanal. 

Isa e Fera ainda filhotes, quando foram resgatadas após a mãe ter morrido. Fonte: Diário Corumbaense

O processo de reabilitação

A reabilitação das onças foi realizada pela equipe do Onçafari, Cenap/ICMBio e IMASUL com a ajuda de vários colaboradores e consistiu em treinar as irmãs para reconhecer as suas presas naturais (jacarés, queixadas, capivaras, entre outros), para caçar, vocalizar e interagir com onças de vida livre. 

Nos primeiros 2 meses as onças foram alimentadas com carne de animais abatidos, mas depois disso, presas vivas começaram a ser apresentadas, uma por vez e, conforme as irmãs foram ganhando confiança e desenvolvendo suas habilidades o “nível de dificuldade” das presas foi aumentando.  Após 11 meses, as duas onças foram capazes de perseguir, surpreender e matar todos os animais oferecidos.

 

Soltura

Após 11 meses vivendo no recinto de reabilitação, Fera e Isa foram equipadas com coleiras GPS/ VHF e soltas na mesma área do recinto. O tipo de soltura utilizada a soltura branda, onde as portas do recinto são abertas e permanecem assim. Desse modo o animal sai quando se sente à vontade para isso e tem a liberdade de voltar sempre que julgar necessário. 

No caso das Isa e da Fera, as portas do recinto permaneceram abertas por 3 meses.

Soltura da Fera

 

Soltura da Isa.

 

O que os pesquisadores esperavam das irmãs após a soltura?

  1. Que a Isa e a Fera atacariam e se alimentariam de espécies selvagens 
  2. Que elas iriam estabelecer um território (sinal de boa adaptação e característica comportamental fundamental para a espécie). 
  3. Que elas teriam áreas de vida e movimentos semelhantes a onças nativas do Pantanal.
  4. Que elas teriam padrões de atividades diários semelhantes as onças nativas do Pantanal
  5. Que elas se reproduziram 

 

E o que aconteceu?

Isa e Fera são monitoradas até hoje pela equipe do Onçafari. As duas, estabeleceram suas áreas de vida em regiões relativamente próximas do recinto e são vistas pela equipe e por vários hóspedes que visitam o Onçafari.

Hoje, já podemos considerar as irmãs, verdadeiras onças-pintadas pantaneiras. Vários registros das irmãs interagindo com as outras onças locais, caçando presas silvestres, defendendo suas áreas de vida, interagindo com as outras onças e acasalado com machos, já foram feitos. 

Em 2018, ambas as onças tiveram os primeiros filhotes em vida livre. Três no total!  Os primeiros filhotes de onça-pintadas nascidos de uma onça reintroduzida no mundo! 

Ferinha (na frente) e Céu (no fundo), os primeiros filhotes da Fera na natureza. Foto: Edu Fragoso / Onçafari

E não parou por aí, as irmãs continuam repovoando o mundo com novas oncinhas, tornando o sucesso um grande sucesso, tanto individual, quanto para o revigoramento da espécie. 

 

 

Querem saber a maior prova de sucesso? 

 

A equipe do Onçafari descobriu que as irmãs Isa e Fera já são avós! 

A partir da soltura das duas irmãs, já são mais 9 novas onças-pintadas na população. Já são duas gerações de descendentes das duas irmãs vivendo livremente na planície pantaneira.  De acordo com as diretrizes internacionais para a reintrodução de espécies, o projeto com a Isa e com a Fera atingiu o grau máximo de sucesso. 

Ferinha (filhote da fera) e seu filhote recém-descoberto pela equipe do Onçafari. Foto: Mario Haberfeld

Notícias maravilhosas assim devem ser compartilhadas! Parabéns a equipe do Onçafari e a todos os envolvidos. Esse trabalho é realmente um sucesso!

Clique aqui para acessar a notícia completa no blog do Onçafari.