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Comparando os incêndios de 2020 com 2021 no Pantanal: O que mudou?

Por 27 de dezembro de 2021dezembro 31st, 2021Brigadas Pantaneiras, Incêndios no Pantanal, Notícias

Os dados de satélite são claros ao mostrarem que os incêndios de 2020 no Pantanal foram os piores da história do bioma, resultando em mais de 26% de seu território consumidos pelo fogo, atingindo principalmente o Pantanal norte (Poconé, Barão de Melgaço e Cáceres), e a Serra do Amolar no Pantanal sul. Já em 2021, apesar de proporções menores, mais de 9% do bioma foi consumido pelo fogo, desta vez, concentrados principalmente no Pantanal sul, na região de Corumbá, Miranda e Aquidauana.

Em 2021 a preparação para enfrentar os incêndios foi intensa, tanto por parte das organizações não governamentais quanto pelo Estado e a própria população local. Porém, o quanto isso foi realmente efetivo? Para entender melhor o que mudou de 2020 para 2021, preparamos este texto baseado em dados científicos a fim de explicar melhor o que melhorou de lá pra cá:

Área total queimada

No ano de 2021 o Pantanal teve 1.358.225 hectares (9% do bioma) consumidos pelas chamas, um valor 65,25% menor comparado a totalidade de área queimada do ano de 2020, que teve o total de 3.909.075 hectares (26% do bioma) queimados. Os dados de 2021 são valores aproximados, pois serão refinados no começo de 2022 para maior exatidão. Fonte: LASA/UFRJ.

Mapa: João Dias Scremin

Alguns fatores influenciaram esta diminuição de área queimada, como:

1) Diminuição de matéria orgânica disponível: Os locais que haviam queimado em 2020 não possuíam a mesma quantidade de matéria orgânica, por isso as chances de grandes incêndios nestas mesmas áreas foram menores. Ao mesmo tempo, podemos observar no mapa que muitas áreas que não haviam queimado em 2020 foram consumidas pelo fogo em 2021.

2) Mais investimentos para órgãos do Estado: Instituições como o Corpo de Bombeiros do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e Ibama/Prevfogo, receberam um reforço no orçamento, que possibilitou o emprego de mais equipamentos e mais combatentes no enfrentamento das chamas, permitindo uma rápida resposta aos focos de calor. Aviões estavam prontos para o combate assim que a temporada de incêndios começou, aumentando a eficiência nos combates.

3) Formação de brigadas de incêndio: Diversas instituições não governamentais e propriedade rurais investiram na capacitação de brigadistas, assim como na aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) e de combate ao fogo. Uma das iniciativas foi o Programa Brigadas Pantaneiras, criado pelo SOS Pantanal, onde ajudamos a estruturar 24 brigadas espalhadas em diversos pontos da planície e planalto. Trabalhamos em parceria com outras instituições e propriedades rurais para alcançarmos esse objetivo.

As brigadas foram treinadas na prática, combatendo o fogo de forma coordenada. Foto: Gustavo Figueirôa

 

Casos de sucesso no combate ao fogo

Dentre as 24 brigadas integrantes do programa Brigadas Pantaneiras (BPan), 21 entraram em ação ao menos uma vez em 2021. Essa ação rápida e coordenada ajudou a conter danos que poderiam ter sido muito maiores para as áreas de atuação das brigadas. Alguns exemplos como os citados abaixo deixam claro essa diferença:

1) Transpantaneira e Parque Estadual Encontro das Águas (MT)

A região no entorno da Estrada Parque Transpantaneira e do Parque Estadual Encontro das Águas, que abrange os municípios de Poconé e Barão do Melgaço (MT), foi uma das mais atingidas pelo fogo em 2020, com 115,5 mil hectares consumidos pelas chamas, como é possível ver no mapa. Em 2021, apenas 13.041,6 hectares foram queimados, uma redução de 88,72% de área queimada em relação a 2020. Essa redução significativa se deve em grande parte à rápida ação do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (CBMMT), do ICMBio, Defesa Civil, das propriedades rurais do entorno, do Sindicato Rural de Poconé e do apoio da brigada móvel Pantanal Norte, e Alto Pantanal – Porto Jofre.

Nos limites do Parque Estadual Encontro das Águas, a operação conjunta das 3 brigadas apoiando o trabalho do CBMMT, Defesa Civil do Mato Grosso e ICMBio, conseguiu expulsar o fogo das delimitações do parque, reduzindo substancialmente a área queimada em relação ao ano de 2020.

Mapa: João Scremin

2) Chapada dos Guimarães

O município de Chapada dos Guimarães teve ótimos resultados na prevenção e combate de incêndios florestais, com 78,8% a menos de focos de calor e 77,5% a menos na extensão de área queimada comparando 2020 com 2021. Porém, quando comparamos a área de atuação das brigadas como um todo, observamos um resultado ainda melhor, tanto na redução do número de focos de calor em 92 %, quanto na extensão de área queimada em 90%. Essa redução se deu principalmente graças a organização entre a sociedade e o poder público. Foram formadas 11 brigadas de incêndio florestal civis, sendo 5 delas integrantes do programa BPan. A ação das brigadas somado ao trabalho do CBMMT e da Defesa Civil Municipal, que desenvolveu uma Sala de Situação Municipal, resultou em um cenário muito mais controlado, conforme é possível ver no mapa abaixo:

Mapa: João Dias Scremin

3) APA Piraputanga

A Estrada Parque de Piraputanga, em Aquidauana – MS, é um exemplo claro de como a ação rápida dos brigadistas pode extinguir um foco de incêndio antes que ele seja detectado pelo satélite. Em 2021, um foco que teve início dentro da área de atuação da BPan, foi extinguido em menos de 24h, o que inviabilizou a detecção do foco pelo satélite. Esse é um exemplo de eficiência e coordenação de esforços.

 

Brigadas Pantaneiras

O programa Brigadas Pantaneiras ofereceu apoio à estruturação de 24 brigadas novas ou já existentes, gerenciadas por organizações de diferentes perfis e regiões do Pantanal, onde historicamente a ocorrência de incêndios florestais é maior. Com brigadas treinadas, equipadas e integradas ao Corpo de Bombeiros, o combate ao fogo em seu início é mais eficiente e demanda menos recursos humanos e financeiros. Os treinamentos foram coordenados pelo Corpo de Bombeiros e Ibama-PrevFogo. Até o momento, já foram treinados 311 brigadistas em diferentes pontos do Pantanal.

Só em 2021 já foram investidos R$ 1.393.463, 56 neste programa. Todo o recurso veio de doações de pessoas físicas e empresas.

Confira um resumo das Brigadas Pantaneiras no vídeo abaixo:

O programa Brigadas Pantaneiras só foi possível graças a doações que vieram do Brasil todo, e também diversas partes do mundo. Porém, principalmente devido ao movimento Artistas Pelo Pantanal, uma iniciativa do Documenta Pantanal que grande parte dos recursos que estão sendo utilizados na formação e manutenção das brigadas.

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