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ALERTA: Seca antecipada aumenta risco de incêndios no Pantanal em 2022

Todos os anos, no período anterior ao da seca, os órgãos competentes se organizam para prevenir e combater os incêndios. Medidas como a formação de brigadistas florestais, a organização orçamentária e as atividades de educação ambiental são as principais estratégias adotadas pelos órgãos como o IBAMA, ICMBio  e secretarias estaduais de meio ambiente.

O monitoramento é outra ação bastante importante na prevenção e combate aos  incêndios, em especial do fogo, do tempo e do clima. O monitoramento do fogo  consiste, basicamente, numa rotina de levantamento de dados oriundos do campo e dos satélites orbitais, e de informações para identificar novos focos de queimadas, averiguar a velocidade de deslocamento da queima  e detectar  o padrão da queima para diagnosticar as possíveis causas do incidente.

Já o  monitoramento meteorológico consiste em conferir a temperatura, velocidade do vento, umidade relativa do ar, precipitação etc de forma mais periódica (diário, semanal e mensal). Um exemplo desses monitoramentos é computar a ocorrência de chuvas para averiguar a capacidade delas de extinguir o incêndio ou verificar a velocidade do vento para compreender os horários mais perigosos para o combate do fogo. Por fim, o  monitoramento climático consiste na identificação de fenômenos, como o El Nino e La Nina, a partir dos registros históricos. 

Nos últimos anos, a partir do monitoramento climático, diversos pesquisadores  constataram uma redução de pluviosidade no bioma [1]; ou seja, a quantidade de chuva dentro do Pantanal diminuiu. Este resultado, além de trazer um desequilíbrio nas interações ambientais, também aumenta a quantidade de vegetação seca no ambiente, o que pode tornar o ambiente muito mais propício aos incêndios. 

Fogo consumindo a região de Miranda – MS. Foto: Gustavo Figueiroa

 

Risco de incêndios está elevado em 2022!

Infelizmente o prognóstico de seca intensa no Pantanal para o ano de 2022, especificamente na região sul, permanece. O tempo  mais seco  deixa o cenário mais favorável para a propagação de incêndios florestais. Segundo nota técnica elaborada pelo SOS Pantanal [3], que fez um estudo de caso nesta região – em uma das áreas de atuação do Programa Brigadas Pantaneiras – BPAN, desde outubro de 2021, a quantidade de chuvas no bioma está muito abaixo da média. Este resultado, pode indicar uma antecipação do período de estiagem no bioma.

Análise, em relação ao período de 2015 a 2021, dos valores do índice de risco de fogo no Pantanal. As áreas em vermelho indicam um risco de fogo muito acima do esperado. Em tons de vermelho claro, branco e azul claro, são áreas com valores de risco de fogo dentro do esperado. Por fim, em amarelo, a área de estudo da nota técnica (Elaboração: SOS Pantanal).

Nossa análise indica que, principalmente no Pantanal do Mato Grosso do Sul, nas regiões de Miranda e Aquidauana, o risco de incêndios florestais este ano está muito elevado. As condições propícias e o acúmulo de biomassa (matéria orgânica) potencializam as chances de eventos de fogo mais extremos.

 

O que fazer?

Apesar do cenário ser preocupante, há medidas preventivas que podem reduzir a suscetibilidade das áreas em relação aos incêndios, como o licenciamento ambiental para a confecção de aceiros(linhas abertas na vegetação a fim de coibir o adentramento de fogo em propriedades rurais), realizar campanhas educativas, operações de prevenção aos incêndios florestais com monitoramento contínuo das queimadas, fiscalização ambiental e rondas com apoio da polícia ambiental. 

Também não podemos esquecer que  é imprescindível que políticas públicas para o Manejo Integrado do Fogo sejam implementadas, mas de forma adaptada ao modo de vida da população pantaneira. O avanço em pesquisas e aplicações de queimas controladas para redução de biomassa em áreas com elevado risco de incêndios é o principal caminho para começarmos a virar o jogo.

As brigadas foram treinadas na prática, combatendo o fogo de forma coordenada. Foto: Gustavo Figueirôa

O Pantanal é resistente, porém, incêndios frequentes estão diminuindo a janela de resiliência deste bioma único, ameaçando esse santuário da biodiversidade.

O Instituto SOS Pantanal se coloca à disposição para cooperar tecnicamente com o Governo do Estado e com os produtores e comunidades pantaneiras para somar a estas ações e reduzir  a probabilidade de ocorrência de incêndios no bioma.

 

 

Texto: Ananda Santa Rosa de Andrade 

Revisão: Gustavo Figueiroa

 

 

 

 

Notas

[1] Pesquisas a respeito da seca no Pantanal, sugerimos leitura:

ECOA. Redução de chuvas na Bacia do Alto Paraguai é sinal de alerta para o Pantanal. 2022. Disponível clicando aqui.

LÁZARO, Wilkinson Lopes et al. Climate change reflected in one of the largest wetlands in the world: an overview of the Northern Pantanal water regime. Acta Limnologica Brasiliensia, v. 32, 2020.

LEAL FILHO, Walter et al. Fire in Paradise: Why the Pantanal is burning. Environmental Science & Policy, v. 123, p. 31-34, 2021.

LIBONATI, Renata et al. Assessing the role of compound drought and heatwave events on unprecedented 2020 wildfires in the Pantanal. Environmental Research Letters, v. 17, n. 1, p. 015005, 2022.

MARENGO, Jose A. et al. Extreme drought in the Brazilian Pantanal in 2019–2020: characterization, causes, and impacts. Frontiers in Water, v. 3, p. 13, 2021.

[2] Quer entender um pouco mais do que aconteceu nos três últimos anos? 

Acesse o acervo Arquivos Incêndios do SOS Pantanal: https://www.sospantanal.org.br/category/incendios-no-pantanal/

[3]  A nota técnica na íntegra está disponível AQUI.

[4] Sobre o índice citado, o Fire Weather Index (FWI), você pode entender melhor com esta referência:

CANADA, N. R. Canadian Wildland Fire Information System | Canadian Forest Fire Weather Index (FWI) System. Disponível em: <https://cwfis.cfs.nrcan.gc.ca/background/summary/fwi>. Acesso em 27 de Abr. 2022.

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