O PANTANAL PRECISA DE VOCÊ

Informar e promover o diálogo para um Pantanal sustentável.

VOLTAR

O pantanal, o homem pantaneiro e a pandemia

 

Todos nós sabemos a importância do Pantanal para o Brasil e o mundo. Desde 2000, parte da região é considerada Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas. O território apresenta bons resultados de desenvolvimento sustentável, dos quais destacam-se características de excelente interação entre o homem e a natureza. Dessa forma, não há como falar sobre as belezas cênicas e paisagens regionais, sem exaltar a importância do homem pantaneiro neste cenário.

Foto: Guilherme Rondon

A cultura pantaneira é muito ligada às suas raízes; repleta de significados e símbolos que se tornam uma mostra de força e resistência às transformações econômicas, culturais, sociais e políticas. As tradições encantam turistas que chegam ao Pantanal e proporcionam experiências únicas aos visitantes. A cultura do bioma é de uma riqueza e importância quase imensuráveis! 

Foto: Guilherme Rondon

 

 

Experiências culturais

 

Uma das experiências mais valorizadas é a passagem das comitivas boiadeiras. Elas são raras, mas ao viajar pela região é possível encontrá-las. Compostas por peões elegantemente trajados, com suas faixas paraguaias, bruacas, pirains e no alforje o seu celular. O visitante que vivencia o encontro com a comitiva pela primeira vez se encanta, pois é algo único! Este encontro entre o passado e presente ficam na memória, nas fotografias e nas redes sociais. 

Foto: Guilherme Rondon

 

Foto: Guilherme Rondon

 

Além dos limites territoriais

 

Tão rico quanto o Pantanal é o seu entorno. O bioma é rodeado por municípios pantaneiros, nos quais a vida cultural acontece e se transforma. Artistas imprimem em suas obras símbolos típicos e significativos. Jorapimo, artista plástico corumbaense, por exemplo, perpetuou a cultura em suas imagens dos canoeiros do Rio Paraguai com as famosas canoas de um pau só. 

Já nos bailes pantaneiros, a música, assim como a dança são executadas nos ritmos do chamamé, da polca paraguaia e da guarania. Uma herança histórico-cultural que deu ao sul-matogrossense um jeito próprio de executar os ritmos da fronteira.

Foto: acervo Hotel Barra Mansa

Os desafios da cultura pantaneira em meio à pandemia 

 

Ainda que haja uma pandemia global – em função do COVID19 – e diversas limitações socioeconômicas, devemos continuar os esforços para atingir os objetivos estabelecidos pela ONU, visando um desenvolvimento sustentável do Pantanal. Para isso, é necessário que todas as esferas sociais, (governo, universidades, organizações civis e cada um de nós), permaneçam comprometidas com essa missão. Considerando toda a riqueza ambiental e sócio-cultural, nos vem a seguinte reflexão: qual será o impacto desse fenômeno na vida pantaneira? 

Recentemente, em razão da quarentena, a festa junina na cidade de Corumbá – Arraial de São João – foi cancelada. Na festa, é realizado o “Banho de São João”, um dos mais singulares festejos sacro-profanos do Brasil, incluso na lista de patrimônio imaterial do estado. Na intenção de se adaptar ao isolamento social e proteger a população, o concurso de andores foi realizado online. Em depoimento, o mestre artesão da viola de cocho, Sr. Sebastião Brandão, conta “Tirei a foto e enviei, agora a votação está lá no computador”. Tradicionalmente, os andores são levados em procissão até as margens do Rio Paraguai, para que aconteça o banho do santo. Esse ritual é muito importante, pois acredita-se que o banho traz uma renovação do elo entre homem e a natureza. 

Sr. Sebastição montando violas. Foto: acervo Hotel Barra Mansa

Neste momento, é fundamental divulgarmos e exaltarmos a importância das tradições culturais pantaneiras. Dessa forma, esperamos diminuir os impactos negativos do isolamento, principalmente aos “fazedores” da cultura. Dar foco ao Pantanal e ao seu povo na mídia é uma forma de fortalecer o sentimento de pertencimento, estimular o interesse da população e das autoridades, além de valorizar os bens culturais produzido no bioma. 

Por fim, diante deste cenário minimamente caótico, nos cabe uma reflexão sobre as questões humanitárias e culturais que perpassam pelo modo de vida nos diferentes rincões do Brasil. O homem pantaneiro em seu contexto e modos peculiares de vida, nos instiga e desafia a encontrar formas de manter as tradições culturais em tempos não somente de pandemia, mas sobretudo de transformações tecnológicas e perda das relações humanas. 

Foto: Guilherme Rondon

Que a cultura pantaneira seja celebrada! 

 

Parceria entre o SOS Pantanal e Cláudia Medeiros

 

Dada a importância da cultura para o desenvolvimento sustentável da região, firmamos uma parceria com a especialista em cultura pantaneira Cláudia Medeiros. A ideia é trazer à tona algumas tradições e ritos culturais típicos, para que a história e a essência do Pantanal não se percam ao longo do tempo. 

Cláudia de Medeiros

Claudia de Medeiros iniciou formalmente sua pesquisa sobre a cultura pantaneira em 2003.  Neste ano o projeto Sapicuá Pantaneiro, idealizado por ela,  foi contemplado em edital com o objetivo de realizar oficinas de artesanato, arte-educação e educação ambiental na região pantaneira.  Esta experiência levou a desenvolver metodologia própria registrada no Manual das Oficinas do Artesanato Pantaneiro, publicação editada pelo Instituto Histórico e Geográfico de MS em 2006. 

Seu trabalho com a cultura pantaneira foi tema de palestras no Fórum Social Mundial realizado em 2003 em Porto Alegre – RS e, em 2006, em Caracas, na Venezuela. Também foi reconhecido com a chancela Cultura VIVA do Ministério da Cultura na geração de renda e patrimônio cultural do Pantanal . Por esse motivo, seu trabalho tornou-se Ponto de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul. Como reconhecimento recebeu o prêmio Mulheres de Fibra pelo Jornal o Progresso de Dourados.  A BPW – Business Professional Woman- Campo Grande com o tema “Vida de Paz no Planeta Terra”, homenagearam o Projeto Sapicuá Pantaneiro por suas atividades.

Em breve, traremos mais contos, causos e outros aspectos da rica cultura do Pantanal.

8 respostas para “O pantanal, o homem pantaneiro e a pandemia”

  1. Meus parabéns pela iniciativa! Ótimo texto muito bem elaborado com riqueza de detalhes. Confesso que fiquei apaixonada pela cultura pantaneira e mais ainda por você como profissional e pessoa!!!! Sucesso e que Deus a abençoe!!!

  2. Parabéns Claudinha,
    Texto maravilhoso pela sua riqueza.
    Temos que ter boa literatura constantemente para lembrar e relembrar as pessoas da importância do nosso pantanal para o planeta Terra e para a humanidade.

  3. Excelente artigo sobre a região do pantanal e sua cultura. O leitor é estimulado ou a retornar ou a conhecer esse lugar que é um verdadeiro deleite para nossos olhos.

  4. Gratidão por compartilhar todo esse conhecimento sobre a cultura pantaneira. Parabéns por levar o pantanal para o mundo, precisamos de pessoas como você que é apaixonada pelo que faz. Sucesso sempre.

  5. Parabéns Cláudia …pelo seu excelente trabalho. E sua dedicação e contribuição para divulgação de uma região tão importante do nosso País.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *