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Lama se espalha por rios cristalinos de Bonito e ameaça paraíso

Rio da Prata antes (foto de baixo) e depois ( foto de cima) da chuva – Fotos: Divulgação

*Por Fábio Paschoal

O avanço da agricultura sem práticas de preservação ambiental ameaça as águas cristalinas dos principais pontos turísticos da cidade de Bonito (MS). O Rio da Prata foi tomado pela lama após uma forte chuva e deixou de ser transparente para se tornar marrom. Além do Prata, pontos de risco foram identificados nas regiões do Rio do Peixe, Nascente Azul e Gruta do Mimoso. No mês passado, as chuvas prejudicaram atrativos sitiados nas margens dos rios Formoso, Mimoso, Anhumas e do Peixe. Pelo menos sete passeios foram temporariamente suspensos, aponta a Campo Grande News.
“O assoreamento é resultado de uma mudança no uso do solo. Onde antes era pecuária, hoje é agricultura. O problema é que alguns proprietários não fizeram curvas de nível para deter as enxurradas. A atividade demanda uso de caminhões pesados para transporte de insumos e escoamento da produção e o aumento do uso das estradas contribui para o problema. Além disso, nesse momento, estamos com um volume de chuvas muito grande em um curto período de tempo. A somatória desses fatores levam a esses problemas que estão acontecendo em Bonito”, diz Felipe Augusto Dias, diretor-executivo da SOS Pantanal.
Com o desmatamento e o estabelecimento de plantações sem curvas de nível (técnica que diminui o efeito de enxurradas), a água da chuva provoca erosão, segue rapidamente para as estradas, chega aos rios menores levando sedimentos que desaguam nos rios de interesse turístico e provocam o turvamento das águas cristalinas e assoreamento.
Outra ameaça são drenos ilegais escavados por agricultores para secar o terreno e fazer o plantio em área de banhados, responsáveis por filtrar a água e reter partículas que acabariam nos rios. Sem os banhados, as águas recebem mais sedimentos e perdem a transparência característica da região.

O Ministério Público Estadual em Mato Grosso do Sul (MPE/MS) instaurou diferentes inquéritos para apurar irregularidades. No mês passado, o governo do MS divulgou um decreto que determina que donos de propriedades rurais localizadas nos municípios de Bonito e Jardim apresentem à Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) um projeto técnico de manejo e conservação do solo e água antes da execução.

No entanto, o Ministério Público apontou que o decreto é falho porque deveria ser válido também para os municípios de Bodoquena e Miranda. Mas o principal problema é que as regras se aplicam somente para produtores rurais que irão implantar lavouras. Os agricultores que já estão estabelecidos (os principais responsáveis pelo turvamento das águas e assoreamento dos rios) não precisam seguir o plano de conservação.

Se nada for feito, corremos o risco de perder as águas cristalinas de Bonito para sempre.

*Fabio Paschoal é biólogo, jornalista e guia de ecoturismo. Foi editor e repórter de National Geographic Brasil por 5 anos e hoje é produtor de conteúdo da SOS Pantanal e da GreenBond

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